As imperfeições da memória
31/08/2014

Por Oscar Bacelar

Ao falarmos de memória, todas as informações registradas neste texto, por exemplo, estarão intactas no software do nosso PC por uma infinidade de anos, sempre que quisermos resgatá-las. Basta clicar no arquivo correto do sistema operacional e buscar a informação.

No entanto, essa informação será sempre a mesma. Não será modificada, atualizada, corrigida, modificada ou até mesmo esquecida. Será a mesma.

Nosso cérebro é diferente. Ele não registra todas as informações como se fosse uma câmera filmadora, ele registra trechos que seleciona como relevantes.

Certamente, o componente afetivo e motivacional é o principal fator modulador para a aquisição da informação e consolidação desta na memória. Como por exemplo: imagine que você encontre uma pessoa interessante e consiga o telefone dela ou dele, por outro lado,  alguém pede para que você grave rapidamente o telefone de um dentista para que essa pessoa marque uma consulta. De quem você gravará o telefone?

 Em outra situação, imagine que você conheceu uma pessoa não muito interessante e, dela ou dele, obteve o número do telefone, por outro lado, você está com uma dor de dentes terrível e alguém lhe dá o número do telefone do dentista. De quem você lembrará o telefone?

Vejam que o componente afetivo desempenha um papel fundamental na aquisição da informação.

Obviamente, outros fatores também são importantes para uma retenção adequada.  É preciso haver condições internas ideais para uma aquisição perfeita, a pessoa não pode estar com fome ou sede, não pode estar com sono, não pode haver preocupação externa, deve estar confortável e, principalmente, precisa  estar predisposta a receber a informação. Ou seja, deve prestar atenção. É muito comum os indivíduos se queixarem de esquecimento, onde, na realidade o problema é desatenção.

Fatores externos também ajudam, como ausência de fatores distratores, como ruídos por exemplo. No entanto, o cérebro, é capaz eliminar a percepção desses distratores externos.

Mesmo em condições ideais, atentos, motivados e etc, o cérebro não capta tudo, como dito anteriormente.

Ademais, o cérebro pode se tornar incapaz de formar novas memórias (saturação) após situações onde há excesso de informação recebida, e a nova memória a ser consolidada pode sofrer interferências, quando um evento ou informação de forte componente emocional, por exemplo, ocorre nas horas subsequentes da aquisição daquela informação inicial, atrapalhando a consolidação daquela.

Os trechos armazenados são, então, evocados através de dicas que enviamos ao cérebro. A história a ser contada, por exemplo, baseia-se na junção dos trechos arquivados e de nosso raciocínio, a fim de formar uma história coerente. Desta forma, não é incomum maximizarmos, minimizarmos e misturarmos informações  até mesmo incorporando fatos irreais ao fato que deu origem à memória. Daí, pode-se concluir porque os pescadores aumentam o tamanho dos peixes pescados, ou porque geralmente ninguém lembra dos defeitos das pessoas que morreram ou, porque indivíduos que viajam com muita frequência, podem  trocam “na sua memória” os lugares que foram com pessoa X ou Y.

Como se não bastasse, a memória para fatos tende a ser esquecida a longo do tempo. Passado certo tempo, é comum um filme que você já viu ser reprisado na televisão e você não ter lembrança alguma sobre o enredo do filme, o que não ocorreria dias após o filme, muito menos horas após tê-lo visto pela primeira vez.

Enfim, não lembramos tudo, pode sofrer interferência externa, tendemos a nos esquecer e, ao nos recordarmos, podemos mudar o conteúdo da memória.

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