O ronco pode ser sinal de alerta
20/08/2014

Apnéia obstrutiva

O Fluminence Online - 29/02/2008 - Fabiane Moreira

Para muitas pessoas já é normal, e às vezes até motivo de brincadeiras conhecer alguém que ronca durante a noite. Mas o que poucos sabem é que o ronco é a tradução sonora indicando que há uma diminuição ou estreitamento da via aérea durante a passagem do ar. Se o problema agravar, o que ocorre é o fechamento ou colapso da via aérea, resultando na apnéia. A situação pode se tornar ainda mais séria, já que a apnéia do sono pode levar à morte.

A neurologista Andrea Bacelar, da Clínica Carlos Bacelar, na Tijuca, no Rio, alerta que tratar a apnéia diminui o risco de morte em 40%. Segundo ela, a Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS), que atinge mais de 5% da população, é a principal causa de hipertensão secundária, sendo a obesidade um fator de risco importante para o seu desenvolvimento. E uma vez que cresce o número de obesos no mundo, aumenta também o risco de desenvolvimento da apnéia do sono, podendo chegar a 30%. 

Andréa explica que o distúrbio é caracterizado por repetidas oclusões da faringe posterior durante o sono, provocando obstrução da passagem do ar. De acordo com ela, há a queda do oxigênio na circulação, seguida de um despertar breve para a retomada da respiração normal. 

"Essa queda do oxigênio circulante está relacionada ao aumento da liberação de adrenalina que, associada à liberação de substâncias pró-inflamatórias e fatores pró-trombóticos, favorecem a aterosclerose, o entupimento das artérias e a hipertensão arterial", explica.

Sinal de cansaço

A neurologista ainda ressalta que a apnéia está associada ao cansaço durante o dia decorrente da fragmentação do sono. Ela garante que o problema age no sistema circulatório em três regiões: no vaso sangüíneo, endurecendo a parede das artérias (aterosclerose); na circulação, aumentando a viscosidade do sangue (aumento da agregação plaquetária) e, diretamente no coração, facilitando o aparecimento de arritmias cardíacas, infarto agudo do miocárdio e até falência cardíaca. 

"Últimos estudos realizados constataram que após sete anos com apnéia, 16% das pessoas que não a trataram desenvolveram doenças cardiovasculares. Já em outro grupo de apnéicos que apresentavam o distúrbio há 15 anos, e que passou por tratamento, pôde-se observar redução do óbito em 40% em relação ao grupo que não tratou a apnéia", diz.

Segundo Andréa, estudos também revelam que os pacientes hipertensos com apnéia que trataram o problema com aparelho CPAP (Continuous Positive Airway Pressure ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) reduziram em 2.5 pontos a pressão arterial sistólica, e 1.8 a pressão diastólica.

"Isso demonstra que o tratamento da apnéia do sono é capaz de mudar a história natural da doença, prevenir doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida a longo prazo", conta.

A médica aponta o ronco como principal sinal de alerta para a apnéia do sono e indica a polissonografia como o exame para diagnosticar o problema, devendo ser realizado em hipertensos, principalmente nos que se queixam de sonolência durante o dia.

CPAP – Sigla inglesa para Continuous Positive Airway Pressure ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas. Tratamento de natureza mecânica em que o indivíduo dorme com uma máscara nasal conectada a um gerador de fluxo de ar. A pressão do ar gerada evita o colapso das vias aéreas e abole completamente os distúrbios respiratórios noturnos.

Polissonografia – Exame que registra, durante uma noite inteira de sono, uma série de funções do organismo: atividade elétrica do cérebro (EEG), movimentos oculares, atividade muscular, eletrocardiograma, movimentos respiratórios, respiração nasal e bucal e o nível de oxigênio no sangue. Pode ser realizado num laboratório de sono ou no domicílio do paciente, com aparelhos portáteis. 

Motoristas vão fazer exames específicos

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou a Resolução 267 que estabelece a exigência da avaliação de distúrbios do sono para os candidatos que forem realizar adição, renovação e mudança para as categorias C (caminhão), D (ônibus) e E (carreta) na Carteira de Habilitação.

Segundo a Resolução, os candidatos deverão ser avaliados quanto à Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS). Assim, serão verificados parâmetros objetivos como, por exemplo, hipertensão arterial sistêmica e classificação de Malampatti e parâmetros subjetivos que revelam a sonolência excessiva e são medidos de acordo com a Escala de Sonolência de Epworth. 

Segundo estudos relativos a problemas do sono, os distúrbios podem reduzir a capacidade de atenção e reação dos condutores, principalmente daqueles que passam mais tempo ao volante como os motoristas de ônibus e de transporte de cargas. 

No Brasil, atualmente, 8.617.331 condutores possuem categorias C, D ou E. Os exames de avaliação relativos ao distúrbio do sono serão realizados juntamente como os demais exames de aptidão física e mental. A Resolução entra em vigor na próxima segunda-feira.

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